Cinco leituras recomendadas é uma coluna regular sobre cinco itens notáveis que descobrimos enquanto pesquisávamos tópicos populares e atemporais. Esta semana, estamos explorando a escolha do usuário entre privacidade e monetização de dados.

Desde o advento da Internet, os dados pessoais tem sido coletados por empresas de Internet em troca de serviços ou conteúdo gratuitos. Esta permuta supostamente implicava também na prestação de serviços personalizados aos usuários. No entanto, esses coletores de informação começaram a vender dados para agências de publicidade com grandes lucros, o que resultou em campanhas de marketing predatórias focadas em usuários da Internet. Uma das questões fundamentais nesse tipo de uso de dados é a falta de transparência por parte das empresas e de controle por parte dos users.

Há um ditado que diz: “Se você não está pagando pelo produto, então você é o produto.”

A indústria AdTech, avaliada em US$ 438 bilhões em 2021, deve aumentar o valor da indústria de publicidade na Internet para US$ 1 trilhão até 2030. No entanto, a ironia se mantém —- os ativos mais valioso que impulsionam esse fenômeno, ou seja, os dados do usuário, que originalmente pertenciam ao indivíduo, agora pertencem aos coletores de dados e nenhum dos lucros chega aos usuários.

No entanto, e se você fosse pago por esses dados? 

Em meio a tudo isso, existem empresas que fornecem retorno econômico aos usuários que estão dispostos a compartilhar seus dados pessoais e, curiosamente, existem aqueles que apoiam e utilizam esse tipo de troca. Os usuários podem aceitar e controlar os dados que estão sendo compartilhados; em retorno, eles recebem incentivos como pontos de recompensa, cupons de presente, dinheiro real ou criptomoedas de evento. Essas organizações afirmam buscar informações específicas sobre o comportamento na Internet, em vez de informações de identificação pessoal (PII) reais.

Vejamos então cinco artigos que discutem as tendências no uso de dados pessoais na Internet. 

1. O que são data brokers e como eles funcionam?

Os corretores de dados desempenham um papel crucial ao facilitar a conscientização sobre o uso de dados pessoais e capacitar os titulares dos dados, garantindo que eles tenham controle sobre quais dados são compartilhados. Por mais atraente que seja a oferta, o foco ainda está na proteção de dados pessoais. O objetivo é permitir que os consumidores decidam quais dados precisam ser compartilhados e recompensar o consumidor com uma parte da receita gerada.

2. A fórmula para monetizar seus dados

Vamos supor que alguém esteja optando por ser pago em troca de seus dados pessoais. A próxima pergunta é: quanto valem esses dados? O valor dos dados depende de fatores como oferta e demanda e de como os dados agregam valor à empresa.

3. 8 formas de monetização a partir de dados, segundo a KPMG

Já está na hora de ir além do Big Data — existem agora formas novas (e muito menos imorais, diga-se de passagem) de monetizar dados pessoais. Com essas novas práticas, é possível aprimorar o relacionamento com o consumidor e descobrir novas possibilidades de atividade para a empresa.

4. A Web 3.0 é uma revolução de dados?

Estamos no início de uma nova era da Internet, a Web 3.0, que deve mudar o cenário de propriedade de dado. A Web 3.0 deve facilitar a descentralização e promover a soberania do usuário, o que a tornaria um sistema majoritariamente opcional. Esse promete um ambiente muito mais seguro e transparente, para que os usuários possam escolher quais dados desejam compartilhar e recuperar a propriedade de suas pegadas digitais.

5. A monetização de dados e outras oportunidades trazidas pela LGPD

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é, sem dúvida, bem firme em suas sanções no que tange a violações de privacidade de dados pessoais e ao uso malicioso de dados. Contudo, isso não é motivo para temer —- a adequação à LGPD pode ser vista também como uma oportunidade de crescimento econômico.

Conclusão  

A Gartner prevê que 65% da população mundial estará coberta por regulamentações modernas de privacidade até 2023. Além dos governos, as organizações que priorizam a privacidade também estão tomando medidas proativas para devolver o controle dos dados pessoais aos usuários. Em 2021, a Apple forneceu uma atualização que permitia aos usuários desativar o rastreamento por coletores de dados. Isso levanta uma série de questões importantes: como a internet se sustentará? A publicidade se tornará mais difícil e cara? Como as empresas menores podem acompanhar os custos crescentes?

A verdade é que as empresas de Internet terão que procurar dados alternativos ou recorrer à IA para obter insights e sustentar o setor de AdTech. Contudo, a nova era de privacidade digital pode também incentivar a busca de modelos alternativos de marketing e geração de receita, como, por exemplo, o modelo de assinaturas.

Isenção de responsabilidade: este artigo discute uma tendência que pode mudar a forma como os usuários interagem com o setor de AdTech. No entanto, ele não endossa, de forma alguma, a ideia de que um indivíduo deva vender seus dados pessoais por dinheiro.

Não deixe de conferir os nossos outros posts para saber mais sobre monetização de dados, Web 3.0, segurança cibernética e como garantir que a sua empresa está atualizada com o mercado digital global!